Defeitos e Classificação

Como o café verde é avaliado: defeitos físicos, defeitos de xícara e as tabelas usadas no Brasil e pela SCA.

Qualidade Começa no Grão Verde

Antes de ser torrado, todo lote de café passa por uma classificação física (quantos grãos defeituosos existem numa amostra) e por uma prova (como ele se comporta na xícara). As duas avaliações definem o preço e o destino do café.

Um único grão preto ou ardido pode estragar uma xícara inteira. Por isso a separação de defeitos, feita por peneiras, mesas densimétricas, máquinas eletrônicas e catação manual, é uma das etapas mais importantes da cadeia.

Para ser considerado especial pela SCA, o café precisa passar nos dois testes: pouquíssimos defeitos físicos e pelo menos 80 pontos na prova.

Classificação Oficial Brasileira (COB) por Tipo

Conta-se a quantidade de defeitos numa amostra de 300g, usando o grão preto como referência.

TipoDefeitos na amostra
Tipo 2até 4
Tipo 3até 12
Tipo 4até 26
Tipo 5até 46
Tipo 6até 86
Tipo 7até 160
Tipo 8até 360

Na tabela de equivalência, 1 grão preto = 1 defeito; outros grãos defeituosos e impurezas (paus, pedras, cascas) têm pesos diferentes.

Defeitos Físicos Mais Comuns

⚫

Preto

Grão de fruto que caiu no chão ou fermentou demais. Dá gosto terroso, sujo e pesado.

Defeito-base da COB e defeito primário na SCA.
🟫

Ardido

Grão com fermentação excessiva, de cor marrom. Gera notas avinagradas ou de fermentado.

Chamado de "sour" na SCA.
🟢

Verde

Grão de fruto colhido imaturo. Deixa a xícara adstringente e herbácea.

Comum em colheita não seletiva.
🐛

Brocado

Grão perfurado pela broca-do-café (Hypothenemus hampei). Ataques severos causam sabores sujos.

Principal praga do café.
🫘

Quebrado, Concha e Chocho

Grãos danificados ou malformados que torram de forma irregular.

Afetam a uniformidade da torra.
🥜

Quaker

Grão imaturo que não escurece na torra e passa gosto de amendoim cru ou papel.

Só aparece depois da torra.

Classificação pela Bebida

No Brasil, a prova tradicional classifica o café pela sensação na boca.

Estritamente mole

Sabor suavíssimo e adocicado, sem nenhum defeito.

Mole

Suave, agradável e adocicado.

Apenas mole

Ligeiramente suave, com leve adstringência.

Dura

Gosto áspero e adstringente, sem sabores estranhos.

Riada

Leve sabor de iodofórmio, típico da "zona rio".

Rio e Rio Zona

Sabor forte e desagradável de iodo/fenol, associado ao composto TCA.

Padrão SCA para Café Verde Especial

CritérioExigência
Amostra350g de café verde
Defeitos primáriosNenhum (preto, ardido, fungo, matéria estranha...)
Defeitos totaisAté 5 defeitos completos
QuakersNenhum na amostra torrada de 100g
UmidadeEntre 10% e 12%
ProvaPelo menos 80 pontos

Defeitos que só aparecem na xícara

Alguns problemas não são visíveis no grão: o "defeito batata" de cafés do leste africano (cheiro de batata crua, ligado a um percevejo), o gosto de saco velho (baggy) em cafés armazenados por muito tempo e notas fenólicas de fermentação descontrolada. Por isso a prova é indispensável.

Termos do Glossário

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Defeito
Uma falha na xícara (taint = leve, fault = grave) causada por processamento ruim, armazenamento ou grãos defeituosos.
Café Verde
Grãos de café crus, prontos para exportação e torrefação.
Pontuação SCA
Uma nota de 100 pontos atribuída pelo protocolo de cupping da SCA. Com 80 pontos ou mais, o café é considerado especial.
Café Especial
Café com pontuação 80+ na escala SCA, livre de defeitos primários, cultivado em condições ideais.
Cupping
Método padronizado de avaliar a qualidade do café, mergulhando o pó em água quente e degustando com colher.

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